Descontos, todos fazem. Saber atender, nem todos.
- Guilherme Jasmins
- há 14 horas
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Na Madeira, quase todas as farmácias fazem promoções. Percentagem no protetor solar, saldo nas vitaminas, desconto de lançamento numa marca nova de cosmética. Se todas fazem a mesma coisa, todas estão, no fundo, a vender-se pelo mesmo argumento: preço.
Isto tem uma consequência simples e pouco confortável. Quem compete só por preço entra numa guerra que não tem fim — cada descida da concorrência obriga a outra descida, até a margem desaparecer. E o cliente que se ganha assim não é fiel à farmácia, é fiel ao desconto. Muda no dia em que outra oferecer melhor.
Há uma segunda via, e é a que a maioria ignora: perceber o que realmente se faz melhor do que a farmácia ao lado, e comunicar isso em vez de comunicar o preço.
O que separa uma farmácia da concorrência nunca é o desconto
É o atendimento. A forma como se explica um sintoma sem pressa, como se aconselha sobre uma interação medicamentosa, como se trata um cliente às dez da noite numa urgência sem o fazer sentir-se incómodo. Isto é o extra mile que qualquer farmácia com boa equipa já tem — só normalmente não sabe que é isso que a diferencia, e por isso nunca o comunica.
Comunicar o diferencial, não o preço
A decisão estratégica é simples de descrever e difícil de cumprir: menos publicações sobre produto em saldo, mais conteúdo que mostra o critério clínico e o atendimento que já existe ao balcão — uma nota sobre quando ir ao médico em vez de à farmácia, uma resposta bem tratada a uma avaliação no Google, o farmacêutico a explicar algo em vez da marca a anunciar um produto.
Farmácias que fazem esta mudança sentem a diferença rapidamente. Não porque o desconto deixe de funcionar, mas porque passam a competir num critério que a concorrência, presa à guerra de preços, não consegue copiar.
A escolha, no fundo, é entre duas estratégias
Continuar a competir por preço, e ficar refém da boa vontade e da conveniência do cliente. Ou perceber o que se faz de melhor e comunicar isso com naturalidade, para que a escolha do cliente deixe de depender do desconto do mês e passe a depender de confiança já construída. A segunda é mais lenta a mostrar resultado. É também a única que não se esgota quando a concorrência baixa mais um euro.



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